quarta-feira, 26 de março de 2014

Jejum, uma atitude

Convidamo-vos agora a parar e pensar um bocadinho sobre a vossa atitude relativamente ao jejum nesta quaresma. Propomos que pensem em que coisas estariam dispostas a deixar para traz ou a renunciar, para ficarem mais próximas de Deus. Será que consigo só ir uma vez por semana ao Facebook ou ao Instagram? Será que consigo fumar metade do que fumava antes?
Este sacrifício que vos propomos não precisa de ser necessariamente fazer jejum da comida, mas sim jejuar daquilo que me prende e me faz afastar de Deus.

" Tudo o que levo em mim,
O que suporto,
O que digo e que arrisco,
O que penso e o que amo,
Os méritos que obtenho,
O que dirijo e conquisto,
O que me causa sofrimento e alegria:
O que sou e o que tenho,
Te ofereço como dom de amor
Para a fonte santa de graças
Que do santuário brota cristalina,
Para inundar as almas
Dos que dão a Schoenstatt o seu coração
E encaminha bondosamente para lá
Os que, por misericórdia, queres escolher;
E para que frutifiquem as obras
Que consagramos à Santíssima Trindade."

Rumo ao Céu 

Jejum, um olhar



 “Jejuar significa aceitar um aspecto essencial da vida cristã. É necessário redescobrir também o aspecto corporal da fé, a abstinência do alimento é um desses aspectos” (Joseph Ratzinger)









Jejum, uma perspectiva

Olá Universitárias!  Passaram-se mais 10 dias da Quaresma, em que meditámos sobre a oração. O próximo ponto de reflexão é o jejum.

Como sabemos, o tempo de Quaresma é por excelência um tempo de conversão, um tempo de mudança de vida. A igreja na sua sabedoria propõe-nos três atitudes concretas para nos ajudar a essa conversão: a oração, o jejum e a esmola.
Com o jejum e com a oração permitimos que Jesus venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso intimo: a fome e a sede de Deus. o sentido do jejum é "indesligável" da oração.
A pratica fiel do jejum contribui para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Ajuda-nos também a compreender e a unir-nos a Jesus no sacrifício que que fez por nós. 
Jesus ensina-nos que o jejum não deve ser algo que mostramos aos outros, mas uma penitencia que deve ser, acima de tudo, discreta. De facto o espírito de penitencia é a expressão de um coração contrito que quer agradar a Deus e pede a graça da conversão. Diz Jesus: " E quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam eles jejuam. em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que esta presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há de recompensar-te" (Mt 6, 16-18).
Este espírito de penitencia é muito importante porque nos prepara para as festas litúrgicas e contribui para nos fazer adquirir um domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração.
Muitas vezes o jejum pode ser mal compreendido ou vivido de maneira pouco cristã, se a sua motivação não for certa.O objectivo do jejum não pode ser confundido com uma dieta. Para os cristãos, o jejum é um ato de penitencia que é feito em verdadeiro espírito de alegria, porque nos damos conta que jejuando nos tornamos mais livres.
O jejum será para nós algo que nos faz pensar mais em Deus e menos em nós próprios. Devemos treinar-nos a pôr Deus no centro do nosso pensamento e da nossa vida.
Na vida da Igreja é nos recomendado que jejuemos pelo menos dois dias durante o ano: na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. São dias importantes na preparação para a maior festa dos cristãos, a Páscoa. No inicio da quaresma  o jejum dá-nos o tom daquilo que deve ser este tempo, um tempo forte de penitencia e conversão. Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Jesus, jejuamos unidos a Cristo que morre por nós, para nos dar a vida eterna.
Ao mesmo tempo o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre. Escolhendo livremente privar-nos de alguma coisa para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.


Pontos de reflexão:

- Qual o meu entendimento sobre o Jejum? Pratico, ou acho que é algo desactualizado e sem sentido?

- Alguma vez fiz a experiência do jejum sem ser por obrigação? Antes de tomar uma decisão difícil ou num momento especial da minha vida, já experimentei jejuar para poder concentrar-me apenas em Deus?

- Compreendo o jejum como uma forma de me preparar para as dificuldades da vida diária, enfrentando pequenos sacrifícios da vida? 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Oração, uma atitude


Na oração existem palavras e silêncios. A melhor forma de perceber tudo isto consiste em ver como Jesus fazia.
No início da sua missão, retirou-se para o silêncio do deserto, a fim de escutar a palavra do Pai. Era necessário elaborar o seu projecto de vida e ver qual era a vontade de Deus a seu respeito. Foi um tempo difícil, durante o qual foi tentado a optar por outros caminhos de vida, mas rejeitou firmemente essas tentações. Depois do silêncio da escuta, pronunciou livremente o seu “sim” ao Pai.
No final da sua vida, também se retirou de noite, a fim de escutar a palavra do Pai. Nessas horas de intenso sofrimento, quis escutar a vontade do Pai. Soube que tinha de passar pela paixão dolorosa para entrar na glória. Respondeu de novo com o seu sim: “Pai, afasta de mim este cálice de dor. Mas não se faça a minha vontade, mas a tua”.
Estes silêncios e palavras de Jesus, em dois momentos fortes da sua vida, ajudam-nos a perceber como é que eles devem estar presentes na nossa oração. Por isso, aquilo que te propomos para estes dez dias é que pares para fazer silêncio, como Jesus fez. Mas não apenas um “parar” físico… Aquilo que te pedimos é que arranjes um tempo destes dias para fazer um mini retiro!
A nossa vida necessita de se renovar. No meio do turbilhão de acontecimentos do dia-a-dia, precisamos de pausas criativas. Sem elas, o mais provável é que as semanas e os meses passem sem nos apercebermos, instalando-se um arrefecimento progressivo tanto da nossa vida espiritual como das nossas relações humanas e do nosso empenho nos compromissos profissionais e apostólicos.
Para tirar o máximo partido do mini-retiro, recomendamos que uses um caderno pessoal, onde anotas as reflexões, as conclusões e as decisões, permitindo uma revisão mais objectiva no mês seguinte.

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
1. Reservar tempo
É um tempo para a revisão do teu próprio estado geral – um check-up espiritual, e não só. O ideal seria um dia, ou pelo menos meio dia reservado exclusivamente para o mini-retiro. Duas horas seguidas é o mínimo. Considera que a revisão de vida é muito mais importante que a reunião do projecto tal ou o café com aquela amiga que não vês há tres meses. Pela forma como vives, só tu é que és responsável! Toma a decisão interior firme de dedicar este tempo exclusivamente a Deus, mesmo que custe.
2. O lugar certo também ajuda
Procura um lugar onde tenhas a certeza que não vais ser interrompida: o Santuário, uma Igreja ou capela, um lugar ao ar livre. Também pode ser em casa, desde que se assegurem as condições necessárias! Desliga o telemóvel. Não estás numa mera reunião do teu projecto, estás em reunião com Deus e não podes ser interrompida!
3. Tudo o que vale realmente a pena, normalmente custa
O mini-retiro não é um passeio agradável à beira-mar; é mais como a subida de uma montanha. É preciso subir para ganhar perspectiva – para ter uma visão geral sobre a paisagem da minha vida, com os seus montes e vales, as suas luzes e sombras. É preciso coragem para começar um mini- retiro, e perseverança para o fazer do princípio ao fim. Para parar a meio, nem vale a pena começar. Um médico também não faz só meio check-up; precisa de fazer exames e análises, verificá-los com atenção, questionar o paciente sobre os sintomas, aproveitar a sua própria experiência para tirar conclusões, fazer um diagnóstico, prescrever medidas preventivas e curativas e assegurar que o paciente as cumpre. Trata a tua alma com tanto cuidado como tratas o teu corpo!
4. “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5)
Queremos olhar para a nossa vida com os olhos de Deus, para descobrir os seus recados ao longo do caminho que percorremos e discernir a sua vontade quanto aos próximos passos a dar. Por isso, é fundamental pedir o auxílio do Espírito Santo. Cada mini-retiro é um pequeno Cenáculo e um novo Pentecostes, um momento de transformação interior e de envio apostólico.

PASSOS DE REVISÃO DE VIDA
1. Primeiro dar graças...
O mini-retiro não deve começar com o exame dos erros e pecados cometidos, mas sim com uma revisão de tudo o que de bom recebemos de Deus ao longo do mês, e também de tudo o que de bom pudemos fazer. Por isso a primeira pergunta será: Que bênçãos de Deus recebi durante este mês? Em segundo lugar: O que é que eu fiz de bom neste mês? Convém escrever, ser concreta, e terminar este passo com uma oração de gratidão por tudo o que recebi e de oferecimento a Deus de tudo o que fiz. Agradece por tudo o que tens e o que recebeste de bom, a nível natural e sobrenatural. A gratidão engrandece o coração!
2. ...depois dar contas
Só agora, em terceiro lugar é que devo pensar: O que é que fiz de errado neste mês? O que é que não fiz de bom, que poderia ter feito? “Presta contas da tua administração” (Lc 16,2) – é a palavra que no fim da vida vamos escutar da boca de Jesus. É bom escutá-la e aplicá-la em cada mini-retiro. Assim, estaremos certamente melhor preparadas para o exame final, do que vivendo meses ou anos inteiros sem consciência do que estamos a fazer na vida. Depois de termos tomado consciência da bondade de Deus (ponto 1.), custar-nos-á constatar os nossos egoísmos. É altura para uma sincera oração de arrependimento.
Três motivações para o arrependimento:
1. Deus tem direito a todo o nosso amor, mais ainda do que qualquer pai ou mãe deste mundo, porque nos dá infinitamente mais.
2. Não há nada que nos faça tanto mal como ser preguiçosas no amor. Estamos a desperdiçar a vida e a nossa realização humana.
3. Através das nossas faltas e omissões, estamos a prejudicar outros. É como se, por perguiça, não cultivássemos um campo fértil: não dará fruto, nem para mim, nem para os outros.

Finalmente, pedir perdão, lembrando-me que Jesus sempre acolheu todos os pecadores. Entrega-te à misericórdia de Deus, como filho incondicionalmente amado que és.
3. Perdoa
Este passo é fundamental. Nada nos entorpece mais do que guardar rancores. Perdoa de coração a todos aqueles que te ofenderam ao longo deste mês. Liberta-te de todo o rancor. Se for necessária uma reconciliação explícita com alguém, decide como é que podes avançar nesse sentido!

PASSOS DE PROJECÇÃO NO FUTURO
Eu sei porque é que quero permanecer fiel: Na minha vida existe uma missão que me foi dada por Deus (Ideal Pessoal). Quero realizar o sentido da minha vida. Quero desenvolver tudo o que potencialmente existe em mim. Naquilo que faço – ou deixo de fazer – está em jogo o bem dos outros, da minha família, da Igreja, da sociedade.
1. Olha para a tua vida com os olhos de Deus
Em tudo o que vivi ao longo do mês passado, Deus esteve presente. O que é que Ele me esteve a dizer, a sugerir, a pedir? De tudo isso, o que é que quero pôr em prática no próximo mês?
2. Olha para a frente
É altura de pensar no que o novo mês vai trazer. Olha para a agenda e prepara-te para o que aí vem: tarefas, projectos, encontros, desafios que tens pela frente. Pergunta a Deus o que quer de ti e decide, em ambiente de oração, as prioridades, as estratégias, as opções. Verifica se o Horário Espiritual continua adequado à realidade da tua vida. Verifica se o Exame Particular deverá continuar igual ou se precisas de um novo.
3. Renova a tua Aliança
Olhar para a frente pode despertar medos, angústias, ou também vontade de viver e de avançar. Não te deixes desanimar. Renova a confiança em Deus, que conduz a tua vida e te conhece. Ele nunca te deixará só. Consagra a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora tudo o que vais fazer. Pede força para aquilo que sentes que mais desafia os teus limites! Por ultimo, agradece pelo retiro e pelos frutos que irá dar!

Oração, um olhar






«Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos.
Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.»

Evangelho de São Mateus 6, 5-8

Oração, uma perspectiva



Queridas Universitárias,
  
Nos últimos dez dias, temos vindo a perceber o verdadeiro significado do sacrifício e a sua importância neste tempo. Nesta Quaresma, a verdadeira abstinência tem lugar nas nossas vidas quando criamos espaço para que Deus possa actuar em nós. Dessa maneira, podemos também constatar até que ponto estamos dependentes de certas coisas que na realidade não servem para nada. Mas a Quaresma é muito mais do que uma simples abstinência! É também um tempo que nos ajuda a ansiar por algo mais: mais fé, mais esperança e mais amor na nossa vida. Estes quarenta dias dão-nos oportunidade de, ao recebermos os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, mergulharmos cada vez mais através das leituras espirituais e das orações naquilo que celebramos na Páscoa: A paixão, morte e a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!

 E isso sem a oração não é possível... A oração é o diálogo e a conversa com Deus.
“Mas calma… conversar com Deus? Como? Sim, rezo todos os dias, mas.. será que dialoguei com ele como faço diariamente com a minha melhor amiga?”
Para isso, é fundamental aprender a conhecer-se, porque a nossa forma de rezar depende essencialmente da nossa maneira de ser. Nem todas rezamos e temos que rezar da mesma forma! Se formos fiéis a nós próprias encontraremos a nossa forma original de rezar.
O que é comum a todas é a necessidade de chegar a um ritmo diário de oração, que pode variar de pessoa para pessoa. Também o saber fazer espaço para momentos fortes como visitas ao Santuário, retiros pessoais, vigílias e peregrinações. Mas o desafio é integrar a oração no meu dia-a-dia!





Jesus no Deserto: A eficácia da oração

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos

Seguidamente o Espírito impeliu-o para o deserto e no deserto esteve quarenta dias, tentado por Satanás; vivia com os animais selvagens e serviam-No os anjos. Depois de João ter sido preso, dirigiu-se Jesus para a Galileia. Começou ali a pregar a boa-nova de Deus, dizendo: “Completou-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Convertei-vos e crede na boa-nova.”

Jesus tinha muita coisa que fazer connosco. Toda a humanidade precisava d’Ele. Mas porque carga de  água é que Deus demorou tanto tempo a revelar-se ao mundo? Aparentemente Ele organizou-se mal e perdeu bastante tempo. Será?

        Antes de mais, parece que Cristo não escolheu muito bem a época de vir ao mundo. Deveria ter esperado pela entrada ao serviço do avião para, com ele, poder deslocar-se rapidamente; pela televisão, para poder, com a sua palavra, atingir milhões simultaneamente; pelos computadores, que pudessem classificar de imediato as fichas de todos os crentes, estudar o perfil de cada um, mostrar as suas necessidades e muitas outras coisas.
       Depois, arrasta-se um pouco antes de começar. Fica trinta anos ignorado de todos, como simples carpinteiro, sem nada fazer que lhe criasse e desenvolvesse a sua “imagem de marca”. E quando começa a falar e a agir, começa a hesitação sobre os meios a usar. É “tentado” a escolher a eficácia puramente humana, a do poder económico e político. Afasta-se dos outros para orar a seu Pai e, nessa oração, consome no silêncio horas e mais horas. E é por isso que os evangelistas usam um símbolo e nos dizem que Jesus esteve no deserto quarenta dias. Quanto tempo perdido! Não se pode admitir! A não ser que haja outro procedimento diferente do vulgar homem de negócios! É que de facto, há outra eficácia diferente desta: a eficácia da oração.

Mas não penses que a oração vai pôr em ordem de forma mágica todos os problemas com que cada uma de nós se debate! Nem que Deus, a um apelo nosso, virá, milagrosamente, tirar os obstáculos do nosso caminho. Como uma espécie de pai que diz ao filho: “deixa lá, o pai faz isto em vez de ti; tu de certeza que não sabes e vais magoar-te”. Se assim fosse, Deus seria um pai cuja virtude nos vinha ofender, por ser demasiado paternalista. Desta maneira, mataria em nós a mulher adulta que temos que ser. Não nos respeitaria e, por conseguinte, não nos amaria.

A oração não pode de facto, dispensar-nos do esforço. Não nos instala numa espera beatífica pela acção de Deus. Atira-nos para a vida, refeitas, reconfortadas, já que, a nossa fraqueza se aliou à força de Deus. Os obstáculos continuarão e muito raramente surgirão mudados. Somos nós que, com a graça, estamos mudadas e podemos, por isso, travar o nosso combate, do qual sairemos vencedoras!

Jesus não perdeu, no deserto, o seu precioso tempo, enquanto rezava a seu Pai: deixava que n’Ele crescesse o amor.  E foi graças a ele, a este amor de Deus, que Ele salvou o mundo.

E nós, universitárias, com esta vida tão activa e stressante, que nos martela aos ouvidos, no meio das tentações, com falsos remédios de eficácia certa, com falsos êxitos, saberemos levar-nos ao deserto? Saberemos calar, criar um grande silêncio de alguns poucos minutos durante o dia? Quanto mais não seja, na paragem do autocarro, no sinal encarnado ou mesmo de manhã, antes de ir para as aulas. Sabemos recolher-nos e entrar na onda de Deus para acolher por amor que Ele nos quer dar? Se assim não for, estaremos cada vez mais des-sintonizadas..



terça-feira, 4 de março de 2014

Sacrifício, uma atitude









Agora chegou a tua parte... 

Aqui deixamos-te alguns conselhos importantes para a Quaresma e especialmente para esta primeira parte da quaresma! São desafios importantes que te propomos e que te aconselhamos seriamente a fazer:

Fazer um exame de consciência profundo para esta Quaresma num tempo específico para saberes com clareza como está a tua vida, o que te será pedido e traçares "um plano de combate"! Não te deixes cair na preguiça e seres tentada a dizer : "Ah! eu faço isso para a semana...." quando deres por ti a Quaresma já passou. O Amor não se deixa à espera cara amiga! Sê firme e começa a Quaresma a querer dar tudo o que tens e para isso tens saber com que armas podes lutar! 

Definir os Sacrifícios/Penitências que vou fazer. Neste desafio é importantíssimo ser Objectivo e Realista. O Sacrifício deve ser adequado a nós próprios! só porque a  amiga do lado resolve não usar o computador toda a Quaresma ou vai correr todos os dias às 6h da manhã isso se calhar não é adequado para mim.. Mas também não devemos cair na tentação de escolher coisas que queremos oferecer, que sabemos desde logo à partida que são fáceis de oferecer. O Sacrifício é sempre uma luta, uma educação, que deve fazer-nos a mover por algo Maior do que eu. Deve definitivamente querer transcender a minha vida.

Usar (e abusar) dos Sacramentos da Reconciliação, que não deve nunca ser esquecida e, para quem queira e sinta necessidade, a Igreja recomenda que seja semanal, e do sacramento da Eucaristia. Só compreenderei verdadeiramente o meu sacrifício se tiver sempre presente dentro de mim o Sacrifício de Cristo. Sem esse, o meu sacrifício deixará rapidamente de fazer sentido. E que melhor maneira de compreender senão ir à missa e ver com os meus próprios olhos esse Sacrifício no altar?

Criar mais tempos de oração, a rezar o terço e ir com mais frequência ao Santuário para que no silêncio da minha oração Deus me possa falar. "PARAR" de modo activo e consciente é palabra de ordem na Quaresma.

Viver com Alegria esta Quaresma! nada de fazer cara de enjoada ou zangada no momento de entrega do Sacrifício e principalmente em Jejum. Ou deixar de ir ao encontro de quem precisa porque "não tenho paciência!". Um verdadeiro discípulo encontra na Cruz a razão de ser, a Razão da sua felicidade! já dizia Pascal que a alegria é o verdadeiro segredo do Cristão. 

Vá, e agora com estas ferramentas, mãos à obra que há muito trabalhinho a fazer!

O Conselho deseja e reza para que tenhas uma óptima Quaresma! 

Sacrifício, um olhar


«Não vos deixeis tomar pelo desencorajamento. A nossa Alegria não é uma alegria que nasce de possuir muitas coisas, mas de ter encontrado uma pessoa: Jesus; de saber que com ele nunca estamos sós, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida se confronta com problemas e obstáculos que parecem  
 inultrapassáveis».
Papa Francisco


Sacrifício, uma perspectiva

Queridas Universitárias,

Iniciamos a nossa caminhada até ao Domingo de Páscoa com a alegria de o podermos fazer juntas. A exigência vai crescendo ao longo do tempo e com ele queremos aprofundar cada vez o mistério Pascal, o grande acontecimento da História, em que Deus se faz um de nós para Morrer pelo Homem. Mas como podemos compreender? como poder viver este mistério? Só existe uma maneira, cuja fórmula é simples mas difícil de concretizar.

Só podemos viver uma Verdadeira Quaresma se a vivermos na Verdade de Jesus Cristo, ou seja, tal como Ele a viveu: com Sacrifício, com Oração e com Jejum, se pôde abandonar à vontade do Pai e Fortalecer o seu Coração, tal como nós o desejamos fazer, porque temos a certeza de que com isso somos redimidos, ganhamos uma vida Nova em Cristo. E não é o que todos queremos?


JOÃO PAULO II (ANGELUS 1 de Abril de 2001)

Iniciamos hoje a última etapa do caminho quaresmal (…) sentimos mais urgente o convite de Jesus: "Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me" (Lc 9, 23).
Esta condição exigente, posta por Ele a quem O quiser seguir, deve constituir o estilo do cristão, que a Quaresma nos exorta a verificar, renovar e aprofundar. Jesus não propõe a mortificação como fim em si mesma. Na realidade, "negar-se a si mesmo" e "tomar a sua cruz" equivale a assumir completamente a própria responsabilidade perante Deus e o próximo. O Filho de Deus foi fiel à missão que o Pai lhe confiou, até derramar o próprio sangue para a nossa salvação. Ele pede aos seus seguidores que façam o mesmo, doando-se sem reservas a Deus e aos Irmãos. (…) Cristo é exigente com os seus discípulos, e a Igreja não hesita em vos propor de novo o seu Evangelho "sem descontos". Todos os que seguem a escola do Mestre divino abraçam com amor a sua Cruz, que leva à plenitude da vida e da felicidade.

JOÃO XXIII CARTA ENCÍCLICA PAENITENTIAM AGERE
(CONVITE À PENITÊNCIA PARA O BOM ÊXITO DO CONCÍLIO VATICANO II)

Fazer penitência pelos próprios pecados é, para o homem pecador, segundo o explícito ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo, a primeira condição, não apenas para solicitar o perdão mas ainda para chegar à salvação eterna. Evidente se torna, pois, quão justificada seja a atitude da Igreja católica, dispensadora dos tesouros da divina Redenção, a qual sempre considerou a penitência como condição indispensável para o aperfeiçoamento da vida de seus filhos e para seu melhor futuro.
 (…) Ora, se interrogarmos os livros do Antigo e do Novo Testamento, vemos que todo gesto de mais solene encontro entre Deus e a humanidade (...) sempre foi precedido de um mais persuasivo apelo à oração e à penitência. Com efeito, Moisés não entrega ao povo hebreu as tábuas da lei divina senão depois de haver feito penitência pelos seus pecados de idolatria e de ingratidão (cf. Ex 32, 6-35; l Cor 10, 7). Os profetas exortam incessantemente o povo de Israel a implorar a Deus com coração contrito, a fim de cooperar na realização do desígnio da providência que acompanha toda a história do povo eleito.
(...) Eis, com efeito, que João Batista, o Precursor do Senhor, dá início à sua pregação com o grito: "Fazei penitência, pois está próximo o Reino dos Céus" (Mt 3, 1). E o próprio Jesus não inicia o seu ministério com a imediata revelação das sublimes verdades da fé, e sim com o convite a purificar a mente e o coração de tudo o que pudesse impedir o frutuoso acolhimento da boa-nova.
Não se deve crer que o convite à penitência seja dirigido somente àqueles que pela primeira vez devem entrar a fazer parte do Reino de Deus. Na realidade, todos os cristãos têm o dever e a necessidade de fazer violência a si mesmos, ou para repelir os seus inimigos espirituais, ou para conservar a inocência baptismal, ou para readquirir a vida da graça perdida com a transgressão dos preceitos divinos (…) pelo sacramento da penitência e pela prática das virtudes cristãs (prudência, justiça, fortaleza, temperança, fé, esperança e caridade).
(…) "A oração e a penitência são os dois poderosos meios postos por Deus à nossa disposição em nossa época para reconduzir a ele a mísera humanidade errante sem guia aqui e acolá; são elas que tiram e reparam a causa primeira e principal de toda perturbação, isto é, a rebelião do homem a Deus” (Pio XI). (…)"morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito" (1 Pd 3, 18). "Pois que Cristo sofreu na carne, deveis também vós munir-vos desta convicção" (1 Pd 4, 1)”. (…) Ora, podendo cada um de nós armar com s. Paulo apóstolo: "Eu me regozijo nos meus sofrimentos... e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo, pelo seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1, 24), também nós devemos portanto alegrar-nos de poder oferecer a Deus os nossos sofrimentos "para a edificação do corpo de Cristo" (Ef 4, 12) que é a Igreja. Antes, devemos sentir-nos imensamente alegres e honrados de sermos chamados a esta participação redentora da pobre humanidade, sobejas vezes desviada do recto caminho da verdade e da virtude.

S. JOÃO DA CRUZ

“Procura sempre inclinar-te não ao mais fácil, senão ao mais difícil.
Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido.
Não ao mais agradável, mas antes ao que dá menos gosto.
Não ao que é consolo, senão ao desconsolo.
Não ao que é descanso, senão ao trabalhoso.
Não ao mais, senão ao menos...
Para chegar a gozar do tudo
Não queiras ter gosto em nada.
Para chegar a possuir tudo
Não queiras possuir algo em nada.
Para chegar a ser tudo
Não queiras ser algo em nada”.
Em outras palavras: fazer em tudo e sempre a vontade
De Deus e não a tua.”