Como sabemos, o tempo de Quaresma é por excelência um tempo de conversão, um tempo de mudança de vida. A igreja na sua sabedoria propõe-nos três atitudes concretas para nos ajudar a essa conversão: a oração, o jejum e a esmola.
Com o jejum e com a oração permitimos que Jesus venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso intimo: a fome e a sede de Deus. o sentido do jejum é "indesligável" da oração.
A pratica fiel do jejum contribui para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Ajuda-nos também a compreender e a unir-nos a Jesus no sacrifício que que fez por nós.
Jesus ensina-nos que o jejum não deve ser algo que mostramos aos outros, mas uma penitencia que deve ser, acima de tudo, discreta. De facto o espírito de penitencia é a expressão de um coração contrito que quer agradar a Deus e pede a graça da conversão. Diz Jesus: " E quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam eles jejuam. em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que esta presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há de recompensar-te" (Mt 6, 16-18).
Este espírito de penitencia é muito importante porque nos prepara para as festas litúrgicas e contribui para nos fazer adquirir um domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração.
Muitas vezes o jejum pode ser mal compreendido ou vivido de maneira pouco cristã, se a sua motivação não for certa.O objectivo do jejum não pode ser confundido com uma dieta. Para os cristãos, o jejum é um ato de penitencia que é feito em verdadeiro espírito de alegria, porque nos damos conta que jejuando nos tornamos mais livres.
O jejum será para nós algo que nos faz pensar mais em Deus e menos em nós próprios. Devemos treinar-nos a pôr Deus no centro do nosso pensamento e da nossa vida.
Na vida da Igreja é nos recomendado que jejuemos pelo menos dois dias durante o ano: na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. São dias importantes na preparação para a maior festa dos cristãos, a Páscoa. No inicio da quaresma o jejum dá-nos o tom daquilo que deve ser este tempo, um tempo forte de penitencia e conversão. Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Jesus, jejuamos unidos a Cristo que morre por nós, para nos dar a vida eterna.
Ao mesmo tempo o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre. Escolhendo livremente privar-nos de alguma coisa para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente.
Pontos de reflexão:
- Qual o meu entendimento sobre o Jejum? Pratico, ou acho que é algo desactualizado e sem sentido?
- Alguma vez fiz a experiência do jejum sem ser por obrigação? Antes de tomar uma decisão difícil ou num momento especial da minha vida, já experimentei jejuar para poder concentrar-me apenas em Deus?
- Compreendo o jejum como uma forma de me preparar para as dificuldades da vida diária, enfrentando pequenos sacrifícios da vida?
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