segunda-feira, 3 de março de 2014

O Significado de Quaresma

A palavra “Quaresma” vem do latim “Quadragésima”, em referência ao “quadragésimo dia” antes da Páscoa. Nos idiomas provenientes do Latim, o termo para designar este tempo de preparação para a Páscoa é “quadragesima”. Por exemplo, em espanhol é “Cuaresma” e em português, “Quaresma”.

Santo Agostinho escreveu que o tempo da Quaresma simboliza esta vida presente na terra, com suas adversidades e tribulações, e que o tempo da Páscoa simboliza a alegria da vida futura.”

São Leão Magno dizia sobre a Quaresma que “foi instituída pelos Apóstolos” e que a Tradição sustenta que “sempre foi vivida com uma maior atenção à vida de oração, jejum e esmola”. “Nos primeiros três séculos, o tempo de jejum limitava-se a alguns dias, uma semana quando muito”. “A primeira menção aos 40 dias foi no concílio ecuménico de Niceia (325), mas no final do século IV o costume havia-se estendido amplamente, tanto no Oriente como no Ocidente.” Com relação à determinação da duração da Quaresma – 40 dias –, estes referem-se aos “40 dias de jejum e oração que Cristo passou antes do começo da sua vida pública”.



"A Quaresma começa na quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina in Coena Domini (quinta-feira Santa). “Na Igreja universal são dias e tempos penitenciais todas as sextas-feiras do ano (em memória da morte do Senhor) e o tempo da Quaresma.” (Código de Direito Canónico, 1250)
Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)".
Catecismo da Igreja Católica, 1438 


PORQUE PRECISAMOS DE "VIVER BEM" A QUARESMA?

« (...) A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entendem os mistérios da indigência e grandeza humana. Constata-se por muitos espaços da vida humana um mar de tristezas e frustrações. A depressão, segundo dizem, é o mal de nosso século. Nunca sentimos tanta falta de infinito, e nunca estivemos tão presos ao efémero, ao passageiro, ao transitório, aquilo que não gera relações humanas, valorizando demasiadamente o virtual e se esquecendo do real, da dor, das misérias, da pobreza, da violência e das misérias morais que relativizam o belo, o sagrado, gerando a cultura do descartável.

O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas, muitos estudos são apresentados diariamente nos meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, económicas, políticas, etc. Mas, são poucos os que chegam ao fundo do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando passarmos pela via quaresmal, que é o caminho de purificação e penitência que nos liberta, através da graça, dos grilhões do pecado. (...)»

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo da Arquidiocese do Rio.




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