segunda-feira, 17 de março de 2014

Oração, uma atitude


Na oração existem palavras e silêncios. A melhor forma de perceber tudo isto consiste em ver como Jesus fazia.
No início da sua missão, retirou-se para o silêncio do deserto, a fim de escutar a palavra do Pai. Era necessário elaborar o seu projecto de vida e ver qual era a vontade de Deus a seu respeito. Foi um tempo difícil, durante o qual foi tentado a optar por outros caminhos de vida, mas rejeitou firmemente essas tentações. Depois do silêncio da escuta, pronunciou livremente o seu “sim” ao Pai.
No final da sua vida, também se retirou de noite, a fim de escutar a palavra do Pai. Nessas horas de intenso sofrimento, quis escutar a vontade do Pai. Soube que tinha de passar pela paixão dolorosa para entrar na glória. Respondeu de novo com o seu sim: “Pai, afasta de mim este cálice de dor. Mas não se faça a minha vontade, mas a tua”.
Estes silêncios e palavras de Jesus, em dois momentos fortes da sua vida, ajudam-nos a perceber como é que eles devem estar presentes na nossa oração. Por isso, aquilo que te propomos para estes dez dias é que pares para fazer silêncio, como Jesus fez. Mas não apenas um “parar” físico… Aquilo que te pedimos é que arranjes um tempo destes dias para fazer um mini retiro!
A nossa vida necessita de se renovar. No meio do turbilhão de acontecimentos do dia-a-dia, precisamos de pausas criativas. Sem elas, o mais provável é que as semanas e os meses passem sem nos apercebermos, instalando-se um arrefecimento progressivo tanto da nossa vida espiritual como das nossas relações humanas e do nosso empenho nos compromissos profissionais e apostólicos.
Para tirar o máximo partido do mini-retiro, recomendamos que uses um caderno pessoal, onde anotas as reflexões, as conclusões e as decisões, permitindo uma revisão mais objectiva no mês seguinte.

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
1. Reservar tempo
É um tempo para a revisão do teu próprio estado geral – um check-up espiritual, e não só. O ideal seria um dia, ou pelo menos meio dia reservado exclusivamente para o mini-retiro. Duas horas seguidas é o mínimo. Considera que a revisão de vida é muito mais importante que a reunião do projecto tal ou o café com aquela amiga que não vês há tres meses. Pela forma como vives, só tu é que és responsável! Toma a decisão interior firme de dedicar este tempo exclusivamente a Deus, mesmo que custe.
2. O lugar certo também ajuda
Procura um lugar onde tenhas a certeza que não vais ser interrompida: o Santuário, uma Igreja ou capela, um lugar ao ar livre. Também pode ser em casa, desde que se assegurem as condições necessárias! Desliga o telemóvel. Não estás numa mera reunião do teu projecto, estás em reunião com Deus e não podes ser interrompida!
3. Tudo o que vale realmente a pena, normalmente custa
O mini-retiro não é um passeio agradável à beira-mar; é mais como a subida de uma montanha. É preciso subir para ganhar perspectiva – para ter uma visão geral sobre a paisagem da minha vida, com os seus montes e vales, as suas luzes e sombras. É preciso coragem para começar um mini- retiro, e perseverança para o fazer do princípio ao fim. Para parar a meio, nem vale a pena começar. Um médico também não faz só meio check-up; precisa de fazer exames e análises, verificá-los com atenção, questionar o paciente sobre os sintomas, aproveitar a sua própria experiência para tirar conclusões, fazer um diagnóstico, prescrever medidas preventivas e curativas e assegurar que o paciente as cumpre. Trata a tua alma com tanto cuidado como tratas o teu corpo!
4. “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5)
Queremos olhar para a nossa vida com os olhos de Deus, para descobrir os seus recados ao longo do caminho que percorremos e discernir a sua vontade quanto aos próximos passos a dar. Por isso, é fundamental pedir o auxílio do Espírito Santo. Cada mini-retiro é um pequeno Cenáculo e um novo Pentecostes, um momento de transformação interior e de envio apostólico.

PASSOS DE REVISÃO DE VIDA
1. Primeiro dar graças...
O mini-retiro não deve começar com o exame dos erros e pecados cometidos, mas sim com uma revisão de tudo o que de bom recebemos de Deus ao longo do mês, e também de tudo o que de bom pudemos fazer. Por isso a primeira pergunta será: Que bênçãos de Deus recebi durante este mês? Em segundo lugar: O que é que eu fiz de bom neste mês? Convém escrever, ser concreta, e terminar este passo com uma oração de gratidão por tudo o que recebi e de oferecimento a Deus de tudo o que fiz. Agradece por tudo o que tens e o que recebeste de bom, a nível natural e sobrenatural. A gratidão engrandece o coração!
2. ...depois dar contas
Só agora, em terceiro lugar é que devo pensar: O que é que fiz de errado neste mês? O que é que não fiz de bom, que poderia ter feito? “Presta contas da tua administração” (Lc 16,2) – é a palavra que no fim da vida vamos escutar da boca de Jesus. É bom escutá-la e aplicá-la em cada mini-retiro. Assim, estaremos certamente melhor preparadas para o exame final, do que vivendo meses ou anos inteiros sem consciência do que estamos a fazer na vida. Depois de termos tomado consciência da bondade de Deus (ponto 1.), custar-nos-á constatar os nossos egoísmos. É altura para uma sincera oração de arrependimento.
Três motivações para o arrependimento:
1. Deus tem direito a todo o nosso amor, mais ainda do que qualquer pai ou mãe deste mundo, porque nos dá infinitamente mais.
2. Não há nada que nos faça tanto mal como ser preguiçosas no amor. Estamos a desperdiçar a vida e a nossa realização humana.
3. Através das nossas faltas e omissões, estamos a prejudicar outros. É como se, por perguiça, não cultivássemos um campo fértil: não dará fruto, nem para mim, nem para os outros.

Finalmente, pedir perdão, lembrando-me que Jesus sempre acolheu todos os pecadores. Entrega-te à misericórdia de Deus, como filho incondicionalmente amado que és.
3. Perdoa
Este passo é fundamental. Nada nos entorpece mais do que guardar rancores. Perdoa de coração a todos aqueles que te ofenderam ao longo deste mês. Liberta-te de todo o rancor. Se for necessária uma reconciliação explícita com alguém, decide como é que podes avançar nesse sentido!

PASSOS DE PROJECÇÃO NO FUTURO
Eu sei porque é que quero permanecer fiel: Na minha vida existe uma missão que me foi dada por Deus (Ideal Pessoal). Quero realizar o sentido da minha vida. Quero desenvolver tudo o que potencialmente existe em mim. Naquilo que faço – ou deixo de fazer – está em jogo o bem dos outros, da minha família, da Igreja, da sociedade.
1. Olha para a tua vida com os olhos de Deus
Em tudo o que vivi ao longo do mês passado, Deus esteve presente. O que é que Ele me esteve a dizer, a sugerir, a pedir? De tudo isso, o que é que quero pôr em prática no próximo mês?
2. Olha para a frente
É altura de pensar no que o novo mês vai trazer. Olha para a agenda e prepara-te para o que aí vem: tarefas, projectos, encontros, desafios que tens pela frente. Pergunta a Deus o que quer de ti e decide, em ambiente de oração, as prioridades, as estratégias, as opções. Verifica se o Horário Espiritual continua adequado à realidade da tua vida. Verifica se o Exame Particular deverá continuar igual ou se precisas de um novo.
3. Renova a tua Aliança
Olhar para a frente pode despertar medos, angústias, ou também vontade de viver e de avançar. Não te deixes desanimar. Renova a confiança em Deus, que conduz a tua vida e te conhece. Ele nunca te deixará só. Consagra a Deus, a Jesus, a Nossa Senhora tudo o que vais fazer. Pede força para aquilo que sentes que mais desafia os teus limites! Por ultimo, agradece pelo retiro e pelos frutos que irá dar!

Sem comentários:

Enviar um comentário