Queridas Universitárias,
Iniciamos a nossa caminhada até ao Domingo de Páscoa com a
alegria de o podermos fazer juntas. A exigência vai crescendo ao longo do tempo
e com ele queremos aprofundar cada vez o mistério Pascal, o grande
acontecimento da História, em que Deus se faz um de nós para Morrer pelo Homem.
Mas como podemos compreender? como poder viver este mistério? Só existe uma
maneira, cuja fórmula é simples mas difícil de concretizar.
Só podemos viver uma Verdadeira Quaresma se a vivermos na
Verdade de Jesus Cristo, ou seja, tal como Ele a viveu: com Sacrifício, com
Oração e com Jejum, se pôde abandonar à vontade do Pai e Fortalecer o seu
Coração, tal como nós o desejamos fazer, porque temos a certeza de que com isso
somos redimidos, ganhamos uma vida Nova em Cristo. E não é o que todos
queremos?
JOÃO PAULO II (ANGELUS 1 de Abril de 2001)
Iniciamos hoje a última etapa do caminho quaresmal (…)
sentimos mais urgente o convite de Jesus: "Se alguém quer vir após Mim,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me" (Lc 9, 23).
Esta condição exigente, posta por Ele a quem O quiser
seguir, deve constituir o estilo do cristão, que a Quaresma nos exorta a
verificar, renovar e aprofundar. Jesus não propõe a mortificação como fim em si
mesma. Na realidade, "negar-se a si mesmo" e "tomar a sua
cruz" equivale a assumir completamente a própria responsabilidade perante
Deus e o próximo. O Filho de Deus foi fiel à missão que o Pai lhe confiou, até
derramar o próprio sangue para a nossa salvação. Ele pede aos seus seguidores
que façam o mesmo, doando-se sem reservas a Deus e aos Irmãos. (…) Cristo é
exigente com os seus discípulos, e a Igreja não hesita em vos propor de novo o
seu Evangelho "sem descontos". Todos os que seguem a escola do Mestre
divino abraçam com amor a sua Cruz, que leva à plenitude da vida e da
felicidade.
JOÃO XXIII CARTA ENCÍCLICA PAENITENTIAM AGERE
(CONVITE À PENITÊNCIA PARA O BOM ÊXITO DO CONCÍLIO VATICANO
II)
Fazer penitência pelos próprios pecados é, para o homem
pecador, segundo o explícito ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo, a
primeira condição, não apenas para solicitar o perdão mas ainda para chegar à
salvação eterna. Evidente se torna, pois, quão justificada seja a atitude da
Igreja católica, dispensadora dos tesouros da divina Redenção, a qual sempre
considerou a penitência como condição indispensável para o aperfeiçoamento da
vida de seus filhos e para seu melhor futuro.
(…) Ora, se
interrogarmos os livros do Antigo e do Novo Testamento, vemos que todo gesto de
mais solene encontro entre Deus e a humanidade (...) sempre foi precedido de um
mais persuasivo apelo à oração e à penitência. Com efeito, Moisés não entrega
ao povo hebreu as tábuas da lei divina senão depois de haver feito penitência
pelos seus pecados de idolatria e de ingratidão (cf. Ex 32, 6-35; l Cor 10, 7).
Os profetas exortam incessantemente o povo de Israel a implorar a Deus com
coração contrito, a fim de cooperar na realização do desígnio da providência
que acompanha toda a história do povo eleito.
(...) Eis, com efeito, que João Batista, o Precursor do
Senhor, dá início à sua pregação com o grito: "Fazei penitência, pois está
próximo o Reino dos Céus" (Mt 3, 1). E o próprio Jesus não inicia o seu
ministério com a imediata revelação das sublimes verdades da fé, e sim com o
convite a purificar a mente e o coração de tudo o que pudesse impedir o
frutuoso acolhimento da boa-nova.
Não se deve crer que o convite à penitência seja dirigido
somente àqueles que pela primeira vez devem entrar a fazer parte do Reino de
Deus. Na realidade, todos os cristãos têm o dever e a necessidade de fazer
violência a si mesmos, ou para repelir os seus inimigos espirituais, ou para
conservar a inocência baptismal, ou para readquirir a vida da graça perdida com
a transgressão dos preceitos divinos (…) pelo sacramento da penitência e pela
prática das virtudes cristãs (prudência, justiça, fortaleza, temperança, fé,
esperança e caridade).
(…) "A oração e a penitência são os dois poderosos
meios postos por Deus à nossa disposição em nossa época para reconduzir a ele a
mísera humanidade errante sem guia aqui e acolá; são elas que tiram e reparam a
causa primeira e principal de toda perturbação, isto é, a rebelião do homem a
Deus” (Pio XI). (…)"morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos,
a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito"
(1 Pd 3, 18). "Pois que Cristo sofreu na carne, deveis também vós
munir-vos desta convicção" (1 Pd 4, 1)”. (…) Ora, podendo cada um de nós
armar com s. Paulo apóstolo: "Eu me regozijo nos meus sofrimentos... e completo,
na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo, pelo seu corpo, que é a
Igreja" (Cl 1, 24), também nós devemos portanto alegrar-nos de poder
oferecer a Deus os nossos sofrimentos "para a edificação do corpo de
Cristo" (Ef 4, 12) que é a Igreja. Antes, devemos sentir-nos imensamente
alegres e honrados de sermos chamados a esta participação redentora da pobre
humanidade, sobejas vezes desviada do recto caminho da verdade e da virtude.
S. JOÃO DA CRUZ
“Procura sempre inclinar-te não ao mais fácil, senão ao mais
difícil.
Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido.
Não ao mais agradável, mas antes ao que dá menos gosto.
Não ao que é consolo, senão ao desconsolo.
Não ao que é descanso, senão ao trabalhoso.
Não ao mais, senão ao menos...
Para chegar a gozar do tudo
Não queiras ter gosto em nada.
Para chegar a possuir tudo
Não queiras possuir algo em nada.
Para chegar a ser tudo
Não queiras ser algo em nada”.
Em outras palavras: fazer em tudo e sempre a vontade
De Deus e não a tua.”
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