terça-feira, 4 de março de 2014

Sacrifício, uma perspectiva

Queridas Universitárias,

Iniciamos a nossa caminhada até ao Domingo de Páscoa com a alegria de o podermos fazer juntas. A exigência vai crescendo ao longo do tempo e com ele queremos aprofundar cada vez o mistério Pascal, o grande acontecimento da História, em que Deus se faz um de nós para Morrer pelo Homem. Mas como podemos compreender? como poder viver este mistério? Só existe uma maneira, cuja fórmula é simples mas difícil de concretizar.

Só podemos viver uma Verdadeira Quaresma se a vivermos na Verdade de Jesus Cristo, ou seja, tal como Ele a viveu: com Sacrifício, com Oração e com Jejum, se pôde abandonar à vontade do Pai e Fortalecer o seu Coração, tal como nós o desejamos fazer, porque temos a certeza de que com isso somos redimidos, ganhamos uma vida Nova em Cristo. E não é o que todos queremos?


JOÃO PAULO II (ANGELUS 1 de Abril de 2001)

Iniciamos hoje a última etapa do caminho quaresmal (…) sentimos mais urgente o convite de Jesus: "Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me" (Lc 9, 23).
Esta condição exigente, posta por Ele a quem O quiser seguir, deve constituir o estilo do cristão, que a Quaresma nos exorta a verificar, renovar e aprofundar. Jesus não propõe a mortificação como fim em si mesma. Na realidade, "negar-se a si mesmo" e "tomar a sua cruz" equivale a assumir completamente a própria responsabilidade perante Deus e o próximo. O Filho de Deus foi fiel à missão que o Pai lhe confiou, até derramar o próprio sangue para a nossa salvação. Ele pede aos seus seguidores que façam o mesmo, doando-se sem reservas a Deus e aos Irmãos. (…) Cristo é exigente com os seus discípulos, e a Igreja não hesita em vos propor de novo o seu Evangelho "sem descontos". Todos os que seguem a escola do Mestre divino abraçam com amor a sua Cruz, que leva à plenitude da vida e da felicidade.

JOÃO XXIII CARTA ENCÍCLICA PAENITENTIAM AGERE
(CONVITE À PENITÊNCIA PARA O BOM ÊXITO DO CONCÍLIO VATICANO II)

Fazer penitência pelos próprios pecados é, para o homem pecador, segundo o explícito ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo, a primeira condição, não apenas para solicitar o perdão mas ainda para chegar à salvação eterna. Evidente se torna, pois, quão justificada seja a atitude da Igreja católica, dispensadora dos tesouros da divina Redenção, a qual sempre considerou a penitência como condição indispensável para o aperfeiçoamento da vida de seus filhos e para seu melhor futuro.
 (…) Ora, se interrogarmos os livros do Antigo e do Novo Testamento, vemos que todo gesto de mais solene encontro entre Deus e a humanidade (...) sempre foi precedido de um mais persuasivo apelo à oração e à penitência. Com efeito, Moisés não entrega ao povo hebreu as tábuas da lei divina senão depois de haver feito penitência pelos seus pecados de idolatria e de ingratidão (cf. Ex 32, 6-35; l Cor 10, 7). Os profetas exortam incessantemente o povo de Israel a implorar a Deus com coração contrito, a fim de cooperar na realização do desígnio da providência que acompanha toda a história do povo eleito.
(...) Eis, com efeito, que João Batista, o Precursor do Senhor, dá início à sua pregação com o grito: "Fazei penitência, pois está próximo o Reino dos Céus" (Mt 3, 1). E o próprio Jesus não inicia o seu ministério com a imediata revelação das sublimes verdades da fé, e sim com o convite a purificar a mente e o coração de tudo o que pudesse impedir o frutuoso acolhimento da boa-nova.
Não se deve crer que o convite à penitência seja dirigido somente àqueles que pela primeira vez devem entrar a fazer parte do Reino de Deus. Na realidade, todos os cristãos têm o dever e a necessidade de fazer violência a si mesmos, ou para repelir os seus inimigos espirituais, ou para conservar a inocência baptismal, ou para readquirir a vida da graça perdida com a transgressão dos preceitos divinos (…) pelo sacramento da penitência e pela prática das virtudes cristãs (prudência, justiça, fortaleza, temperança, fé, esperança e caridade).
(…) "A oração e a penitência são os dois poderosos meios postos por Deus à nossa disposição em nossa época para reconduzir a ele a mísera humanidade errante sem guia aqui e acolá; são elas que tiram e reparam a causa primeira e principal de toda perturbação, isto é, a rebelião do homem a Deus” (Pio XI). (…)"morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito" (1 Pd 3, 18). "Pois que Cristo sofreu na carne, deveis também vós munir-vos desta convicção" (1 Pd 4, 1)”. (…) Ora, podendo cada um de nós armar com s. Paulo apóstolo: "Eu me regozijo nos meus sofrimentos... e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo, pelo seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1, 24), também nós devemos portanto alegrar-nos de poder oferecer a Deus os nossos sofrimentos "para a edificação do corpo de Cristo" (Ef 4, 12) que é a Igreja. Antes, devemos sentir-nos imensamente alegres e honrados de sermos chamados a esta participação redentora da pobre humanidade, sobejas vezes desviada do recto caminho da verdade e da virtude.

S. JOÃO DA CRUZ

“Procura sempre inclinar-te não ao mais fácil, senão ao mais difícil.
Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido.
Não ao mais agradável, mas antes ao que dá menos gosto.
Não ao que é consolo, senão ao desconsolo.
Não ao que é descanso, senão ao trabalhoso.
Não ao mais, senão ao menos...
Para chegar a gozar do tudo
Não queiras ter gosto em nada.
Para chegar a possuir tudo
Não queiras possuir algo em nada.
Para chegar a ser tudo
Não queiras ser algo em nada”.
Em outras palavras: fazer em tudo e sempre a vontade
De Deus e não a tua.”

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