segunda-feira, 17 de março de 2014

Oração, uma perspectiva



Queridas Universitárias,
  
Nos últimos dez dias, temos vindo a perceber o verdadeiro significado do sacrifício e a sua importância neste tempo. Nesta Quaresma, a verdadeira abstinência tem lugar nas nossas vidas quando criamos espaço para que Deus possa actuar em nós. Dessa maneira, podemos também constatar até que ponto estamos dependentes de certas coisas que na realidade não servem para nada. Mas a Quaresma é muito mais do que uma simples abstinência! É também um tempo que nos ajuda a ansiar por algo mais: mais fé, mais esperança e mais amor na nossa vida. Estes quarenta dias dão-nos oportunidade de, ao recebermos os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, mergulharmos cada vez mais através das leituras espirituais e das orações naquilo que celebramos na Páscoa: A paixão, morte e a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!

 E isso sem a oração não é possível... A oração é o diálogo e a conversa com Deus.
“Mas calma… conversar com Deus? Como? Sim, rezo todos os dias, mas.. será que dialoguei com ele como faço diariamente com a minha melhor amiga?”
Para isso, é fundamental aprender a conhecer-se, porque a nossa forma de rezar depende essencialmente da nossa maneira de ser. Nem todas rezamos e temos que rezar da mesma forma! Se formos fiéis a nós próprias encontraremos a nossa forma original de rezar.
O que é comum a todas é a necessidade de chegar a um ritmo diário de oração, que pode variar de pessoa para pessoa. Também o saber fazer espaço para momentos fortes como visitas ao Santuário, retiros pessoais, vigílias e peregrinações. Mas o desafio é integrar a oração no meu dia-a-dia!





Jesus no Deserto: A eficácia da oração

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos

Seguidamente o Espírito impeliu-o para o deserto e no deserto esteve quarenta dias, tentado por Satanás; vivia com os animais selvagens e serviam-No os anjos. Depois de João ter sido preso, dirigiu-se Jesus para a Galileia. Começou ali a pregar a boa-nova de Deus, dizendo: “Completou-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Convertei-vos e crede na boa-nova.”

Jesus tinha muita coisa que fazer connosco. Toda a humanidade precisava d’Ele. Mas porque carga de  água é que Deus demorou tanto tempo a revelar-se ao mundo? Aparentemente Ele organizou-se mal e perdeu bastante tempo. Será?

        Antes de mais, parece que Cristo não escolheu muito bem a época de vir ao mundo. Deveria ter esperado pela entrada ao serviço do avião para, com ele, poder deslocar-se rapidamente; pela televisão, para poder, com a sua palavra, atingir milhões simultaneamente; pelos computadores, que pudessem classificar de imediato as fichas de todos os crentes, estudar o perfil de cada um, mostrar as suas necessidades e muitas outras coisas.
       Depois, arrasta-se um pouco antes de começar. Fica trinta anos ignorado de todos, como simples carpinteiro, sem nada fazer que lhe criasse e desenvolvesse a sua “imagem de marca”. E quando começa a falar e a agir, começa a hesitação sobre os meios a usar. É “tentado” a escolher a eficácia puramente humana, a do poder económico e político. Afasta-se dos outros para orar a seu Pai e, nessa oração, consome no silêncio horas e mais horas. E é por isso que os evangelistas usam um símbolo e nos dizem que Jesus esteve no deserto quarenta dias. Quanto tempo perdido! Não se pode admitir! A não ser que haja outro procedimento diferente do vulgar homem de negócios! É que de facto, há outra eficácia diferente desta: a eficácia da oração.

Mas não penses que a oração vai pôr em ordem de forma mágica todos os problemas com que cada uma de nós se debate! Nem que Deus, a um apelo nosso, virá, milagrosamente, tirar os obstáculos do nosso caminho. Como uma espécie de pai que diz ao filho: “deixa lá, o pai faz isto em vez de ti; tu de certeza que não sabes e vais magoar-te”. Se assim fosse, Deus seria um pai cuja virtude nos vinha ofender, por ser demasiado paternalista. Desta maneira, mataria em nós a mulher adulta que temos que ser. Não nos respeitaria e, por conseguinte, não nos amaria.

A oração não pode de facto, dispensar-nos do esforço. Não nos instala numa espera beatífica pela acção de Deus. Atira-nos para a vida, refeitas, reconfortadas, já que, a nossa fraqueza se aliou à força de Deus. Os obstáculos continuarão e muito raramente surgirão mudados. Somos nós que, com a graça, estamos mudadas e podemos, por isso, travar o nosso combate, do qual sairemos vencedoras!

Jesus não perdeu, no deserto, o seu precioso tempo, enquanto rezava a seu Pai: deixava que n’Ele crescesse o amor.  E foi graças a ele, a este amor de Deus, que Ele salvou o mundo.

E nós, universitárias, com esta vida tão activa e stressante, que nos martela aos ouvidos, no meio das tentações, com falsos remédios de eficácia certa, com falsos êxitos, saberemos levar-nos ao deserto? Saberemos calar, criar um grande silêncio de alguns poucos minutos durante o dia? Quanto mais não seja, na paragem do autocarro, no sinal encarnado ou mesmo de manhã, antes de ir para as aulas. Sabemos recolher-nos e entrar na onda de Deus para acolher por amor que Ele nos quer dar? Se assim não for, estaremos cada vez mais des-sintonizadas..



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